quarta-feira, 8 de abril de 2009

em outras palavras

Diz a lenda que Rui Barbosa, ao chegar em casa, ouviu um barulho estranho vindo do seu quintal.
Chegando lá, constatou haver um ladrão tentando levar seus patos de criação.

Aproximou-se vagarosamente do indivíduo e surpreendendo-o ao tentar pular o muro com seus patos, disse-lhe:

- Oh bucéfalo anácrono! Não o interpelo pelo valor intrínseco dos bípedes palmídes, mas sim pelo ato vil e sorrateiro de profanares o recôndito da minha habitação, levando meus ovíparos à sorrelfa e à socalpa. Se fazes isso por necessidade, transijo; mas se é para zombares da minha elevada prosopopéia de cidadadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada...

E o ladrão, confuso, diz:

- Dotô, resumino, eu levo ou deixo os pato?